segunda-feira, 23 de Novembro de 2009
Breve nota antes de dormires
Coisa veementemente desanconselhada pelo Henrique, note-se. Amofina-se com um enfado disfarçado (às vezes com vernáculo), porque não 'amadureço' a escrita, porque sou impetuosa, excessiva e imperfeita - mas eu sigo na inconsciência e agora apetece-me (muito) dizer-te já: és bom.
És tão bom, que te superas a cada vez. Inaudito. Injusto, também. Fico entre o riso e o beicinho a recordar " bom texto, menina, bom texto" (lembras-te?). Gentil, é claro, que sempre o soubeste ser, malgré tout (ninguém - nem tu - é perfeito)...
Há bocado coloquei a leitura em dia (isto anda com atraso de dias) e lá tive de erguer as mãos (simbolicamente, é claro) aos céus: ...deuses, és bom, dammit!
E pronto: embalas mais uma vez (e sempre) os sonhos e amacias os (eternos) pesadelos e ficamos assim - eu devota, desde a sombra até ao silêncio, e tu feliz.
Acho.
(we're all mad here - II -)
«Então não interessa para que lado andas», disse o Gato.« -Desde que chegue a algum lado», acrescentou Alice como explicação.
«Ah, isso com certeza», disse o Gato, «desde que andes o suficiente.»
Lewis Carroll's Alice in Wonderland
(we're all mad here - I -)
E desaparecesses tão depressa
Fazes-nos vertigens!»
Desta vez ele desapareceu bastante devagar,
começando pelo extremo da cauda,
e terminando com o sorriso malicioso,
que permaneceu ainda durante algum tempo
depois do resto dele se ter sumido.
Lewis Carroll's Alice in Wonderland
Smooth operators know it all...
-“Nada é impeditivo, apenas existem alguns... estrangulamentos de disponibilidade...”-“Ganda frase, man!”
-“Sim, ando a ficar um tanto ou quanto refinado no que diz respeito a enrolar a coisa e transmitir o mínimo de informação com o máximo de palavras...
Tem o seu quê de trabalhoso, podendo ser uma tarefa que, hipoteticamente, poderá ser estendida num horizonte temporal distinto do actualmente previsto; ou seja, vai-se fazendo, apesar da linguagem adoptada poder ser um tanto ou quanto discutível.
E após este palavreado sem sentido, convém acrescentar um 'T.I.A.', e, se possível, no início, um 'F.Y.I.' - dá pontos.”
-"Glup..."
Comum


Três histórias poderosíssimas de almas errantes.Não é o vento, o nevoeiro, o mar bravio, os horizontes vívidos ou desejados.
É a aridez interior.
O labirinto.
E o medo.
São as mensagens vitais pulsando, como luzes incandescentes:
1 -não confies em ninguém.
2 - só a morte liberta.
O resto é cinematografia.
Ali e no dia-a-dia.
domingo, 22 de Novembro de 2009
"A mi pesar", pois
É indubitável que o pior golpe vem de quem menos se espera.Sempre assim o foi; sempre assim será.
E não existe 'experiência' que amacie a violência da coisa, não há endurance que escamoteie o latejar dos porquês - é assim e pronto.
O meu velhinho 'sustine et abstine'.
E mais uma cicatriz.
«Vossa excelência tem razão, mas não a tem toda, e a pouca que tem não lhe serve de nada.» não é uma frase que se aplique ao evento em questão, mas gosto dela, e da acutilância do autor da peça; gosto de misturar conceitos porque, de uma certa forma, isto anda tudo ligado.
Portanto não, Vossa excelência não tem razão, mas 'leve lá a bicicleta' e seja muito feliz.
E também lhe embrulho a campaínha.
sexta-feira, 20 de Novembro de 2009

Descansa.
O Homem já se fez
O escuro cego raivoso animal
Que pretendias.
Hilda Hilst
(Via Vazia - VIII)
Amavisse - São Paulo - Massao Ohno Editor - 1989
quinta-feira, 19 de Novembro de 2009
quarta-feira, 18 de Novembro de 2009
domingo, 15 de Novembro de 2009
e num instante tudo muda
há telefonemas que se aguardam sem se desejar que sucedam; mas a possibilidade é latente - existe enquanto existirmos, está lá.
A sigla é salvífica ou ameaçadora: INEM. Depois, a angústia roída numa espera, corredores pejados de ais, visões crescentemente intimidatórias, suspiros e nadas. Silêncios cortados por passos rápidos, olhares analíticos, aparentemente despojados de alvoroço; selecções: a sorte do azar dita URG-9140744, amarelo - método Manchester, ou qualquer coisa assim; horas, pequena cirurgia, TAC, horas. Não se sente nada, sequer dor, tanto é o receio: de ficar, de não ficar e ter de voltar. A ira, também: tudo são escolhas, tudo. Se tivesse sido de outra forma, se não fosse assim, se.
Vacina do tétano que não será reforçada, porque não existem doses suficientes. Médico brasileiro, médica ucraniana, assistente da Ribeira. De sorrir, se não doesse. Porque às tantas, começa a doer. Partilham-se suportes de sacos de líquidos baços, há quem ameace ‘partir tudo’. Há quem cale o que pensa e ainda mais o que sente. Consta que quem se manifesta fica para o fim. Coisas. Humanidades na desumanidade, ou vice-versa. As luzes tremelicam, as macas sucedem-se, cheias, vazias, cheias…
Cadeiras de rodas de antiquário com siglas dos serviços borratadas a branco: isto não sai daqui.
Mas nós saímos, cambaleantes, entre o aliviado e o pasmado; horas, enfim…
A sigla é salvífica ou ameaçadora: INEM. Depois, a angústia roída numa espera, corredores pejados de ais, visões crescentemente intimidatórias, suspiros e nadas. Silêncios cortados por passos rápidos, olhares analíticos, aparentemente despojados de alvoroço; selecções: a sorte do azar dita URG-9140744, amarelo - método Manchester, ou qualquer coisa assim; horas, pequena cirurgia, TAC, horas. Não se sente nada, sequer dor, tanto é o receio: de ficar, de não ficar e ter de voltar. A ira, também: tudo são escolhas, tudo. Se tivesse sido de outra forma, se não fosse assim, se.
Vacina do tétano que não será reforçada, porque não existem doses suficientes. Médico brasileiro, médica ucraniana, assistente da Ribeira. De sorrir, se não doesse. Porque às tantas, começa a doer. Partilham-se suportes de sacos de líquidos baços, há quem ameace ‘partir tudo’. Há quem cale o que pensa e ainda mais o que sente. Consta que quem se manifesta fica para o fim. Coisas. Humanidades na desumanidade, ou vice-versa. As luzes tremelicam, as macas sucedem-se, cheias, vazias, cheias…
Cadeiras de rodas de antiquário com siglas dos serviços borratadas a branco: isto não sai daqui.
Mas nós saímos, cambaleantes, entre o aliviado e o pasmado; horas, enfim…
sexta-feira, 13 de Novembro de 2009
Thanks (for everything) Jack R.

«Frank Bryant is a professor of literature.
And Rita is his newest student.
A hairdresser who thinks Macbeth runs the local pub.
And Hamlet is a plate of eggs with cheese.
He’s a failed writer who has given up on his life.
She’s determined to change hers by getting an education.
And the more she loves to learn.
The more he learns how to love.
Sometimes students end up being the best teachers.»
És um trapalhão, um desengonçado das ideias; um repetente nos erros e nas desculpas.
E mentes. Primeiro a ti, com olhos gulosos, depois, à orbe, fazendo beicinho.
Assaltas a capoeira, o quintal, o parque, a mata, e por aí fora.
Incorrigível pilha-galinhas.
Incorrigível pilha-galinhas.
quinta-feira, 12 de Novembro de 2009
Tra(d)ição
A voz, sumida, os olhos, fendas, as palavras, trôpegas.
As mãozinhas agitam-se atrás das costas ou cerram-se nos bolsos.
E tartamudeiam é a lei enquanto paira a espessa sombra do reservado; as finíssimas teias de mil ardis.
Manipulações, concessões, reduções.
Cozem-se às paredes, esgueiram-se nas frinchas do poder que ostentam, que argúem defender, que apertam até nos doer a probidade.
As mãozinhas agitam-se atrás das costas ou cerram-se nos bolsos.
E tartamudeiam é a lei enquanto paira a espessa sombra do reservado; as finíssimas teias de mil ardis.
Manipulações, concessões, reduções.
Cozem-se às paredes, esgueiram-se nas frinchas do poder que ostentam, que argúem defender, que apertam até nos doer a probidade.
Mal abres os olhos, está lá: o mundo opressivo, ubíquo; os outros, mudos ou histriónicos, à espera. Fechas os olhos com força. Esperas que passe a náusea, a vontade de voltar atrás, tão longe quanto o mar primevo. Ou antes. Ou nada.O que vale são os atordoados impulsos nas sinapses das dendrites de milhares de células, ou a fé, que talvez seja a mesma coisa, ninguém sabe.
Ou, num ínfimo resquício de humanidade, um abraço.
'Nun ist es aber höchste Zeit! Ich geh…'
Wir wachten auf. Die Sonne schien nur spärlich
Durch schmale Ritzen grauer Jalousien.
Du gähntest tief. Und ich gestehe ehrlich:
Es klang nicht schön.- Mir schien es jetzt erklärlich,
Daß Eheleute nicht in Liebe glühn.
Ich lag im Bett. Du blicktest in den Spiegel,
Vertieftest ins Rasieren dich diskret.
Du griffst nach Bürste und Pomadentiegel.
ich sah dich schweigend an. Du trugst das Siegel
Des Ehemanns, wie er im Buche steht.
Wie plötzlich mich so viele Dinge störten!
—Das Zimmer, du, der halbverweklkte Strauss,
Die Gläser, die wir gestern abend leerten,
Die Reste des Kompotts, das wir verzehrten.
…Das alles sieht am Morgen anders aus.
Beim Frühstück schwiegst du. (Widmend dich den
Schrippen.)
— Das ist hygienisch, aber nicht sehr schön.
Ich sah das Fruchtgelée auf deinen Lippen
Und sah dich Butterbrot in Kaffee stippen-
Und sowas kann ich auf den Tod nicht sehn!
Ich zog mich an. Du prüftest meine Beine.
Es roch nach längst getrunkenem Kafee.
Ich ging zur Tür. Mein Dienst begann um neune.
Mir ahnte viel-. Doch sagt ich nur das Eine:
'Nun ist es aber höchste Zeit! Ich geh…'
Mascha Kaléko
Acordámos. O sol aparecia poupado
através das frestas das persianas cinzentas.
Tu bocejaste ruidosamente. E eu confesso a sério:
não foi bonito. Pareceu-me agora ter ficado esclarecida,
que as pessoas casadas não podem abrasar-se de amor.
Estava na cama. Tu olhaste para o espelho,
concentraste-te discretamente para fazer a barba.
Agarraste a escova e a bisnaga com a pasta dentífrica.
Observei-te em silêncio. Tinhas a marca
do Marido, tal está descrito nos livros.
Como de repente tantas coisas me perturbaram!
O quarto, tu, o ramo meio murcho,
os copos, que ontem à noite tínhamos esvaziado.
… Como tudo de manhã parece diferente.
Ao pequeno almoço, ficaste calado. (Dedicaste-te aos
pãezinhos).
— Pode ser higiénico, mas não é particularmente bonito.
Vi a geleia de fruta nos teus lábios
E vi-te enfiares pão com manteiga no café—
coisa que nem sequer consigo imaginar!
Vesti-me. Tiraste as medidas às minhas pernas.
Cheirava a café já feito há muito tempo.
Fui até à porta. Entrava ao serviço às nove.
Passava-me muita coisa pela cabeça—. Porém, disse apenas isto:
"Estou já no limite do tempo! Vou agora…"
-trad.provável do Pedro Paixão, de acordo com a Paula, que me enviou esta maravilha em forma de comentário...
E que apropriado é, nestes outonos meteorológicos e sentimentais.
A todos os que viveram, vivem ou viverão esta síndroma da realidade.
Durch schmale Ritzen grauer Jalousien.
Du gähntest tief. Und ich gestehe ehrlich:
Es klang nicht schön.- Mir schien es jetzt erklärlich,
Daß Eheleute nicht in Liebe glühn.
Ich lag im Bett. Du blicktest in den Spiegel,
Vertieftest ins Rasieren dich diskret.
Du griffst nach Bürste und Pomadentiegel.
ich sah dich schweigend an. Du trugst das Siegel
Des Ehemanns, wie er im Buche steht.
Wie plötzlich mich so viele Dinge störten!
—Das Zimmer, du, der halbverweklkte Strauss,
Die Gläser, die wir gestern abend leerten,
Die Reste des Kompotts, das wir verzehrten.
…Das alles sieht am Morgen anders aus.
Beim Frühstück schwiegst du. (Widmend dich den
Schrippen.)
— Das ist hygienisch, aber nicht sehr schön.
Ich sah das Fruchtgelée auf deinen Lippen
Und sah dich Butterbrot in Kaffee stippen-
Und sowas kann ich auf den Tod nicht sehn!
Ich zog mich an. Du prüftest meine Beine.
Es roch nach längst getrunkenem Kafee.
Ich ging zur Tür. Mein Dienst begann um neune.
Mir ahnte viel-. Doch sagt ich nur das Eine:
'Nun ist es aber höchste Zeit! Ich geh…'
Mascha Kaléko
Acordámos. O sol aparecia poupado
através das frestas das persianas cinzentas.
Tu bocejaste ruidosamente. E eu confesso a sério:
não foi bonito. Pareceu-me agora ter ficado esclarecida,
que as pessoas casadas não podem abrasar-se de amor.
Estava na cama. Tu olhaste para o espelho,
concentraste-te discretamente para fazer a barba.
Agarraste a escova e a bisnaga com a pasta dentífrica.
Observei-te em silêncio. Tinhas a marca
do Marido, tal está descrito nos livros.
Como de repente tantas coisas me perturbaram!
O quarto, tu, o ramo meio murcho,
os copos, que ontem à noite tínhamos esvaziado.
… Como tudo de manhã parece diferente.
Ao pequeno almoço, ficaste calado. (Dedicaste-te aos
pãezinhos).
— Pode ser higiénico, mas não é particularmente bonito.
Vi a geleia de fruta nos teus lábios
E vi-te enfiares pão com manteiga no café—
coisa que nem sequer consigo imaginar!
Vesti-me. Tiraste as medidas às minhas pernas.
Cheirava a café já feito há muito tempo.
Fui até à porta. Entrava ao serviço às nove.
Passava-me muita coisa pela cabeça—. Porém, disse apenas isto:
"Estou já no limite do tempo! Vou agora…"
-trad.provável do Pedro Paixão, de acordo com a Paula, que me enviou esta maravilha em forma de comentário...
E que apropriado é, nestes outonos meteorológicos e sentimentais.
A todos os que viveram, vivem ou viverão esta síndroma da realidade.
...
Não é em vão que tanto me apetece fantasiar...
quarta-feira, 11 de Novembro de 2009
Ou é da minha vista, ou os barrotes estão tortos
Ele regressava com o sol deitado e rabujava: ‘fui e vim e tu aí?’E ela ali; enrolada entre lençóis e sonhos avulsos, embalada na rádio FM-qualquer-coisa.
As loiças empilhadas a imitarem arranha-céus miniatura, como os das Avenidas Novas nos anos cinquenta; dias de saudade e náusea.
Ela ali, esticada ou enroscada, entre as horas cadenciadas pelo relógio que da sala bradava avisos e o pingo da torneira do toilette, onde o tapete permanecia encharcado do último banho; de horas a engelhar a pele e a esquecer o ódio.
Vais ao cinema comigo?
Se for possível, manda-me dizer:
- É lua cheia. A casa está vazia -
Manda-me dizer, e o paraíso
Há de ficar mais perto, e mais recente
Me há de parecer teu rosto incerto.
Manda-me buscar se tens o dia
Tão longo como a noite. Se é verdade
Que sem mim só vês monotonia.
E se te lembras do brilho das marés
De alguns peixes rosados
Numas águas
E dos meus pés molhados, manda-me dizer:
- É lua nova -
E revestida de luz te volto a ver.
- É lua cheia. A casa está vazia -
Manda-me dizer, e o paraíso
Há de ficar mais perto, e mais recente
Me há de parecer teu rosto incerto.
Manda-me buscar se tens o dia
Tão longo como a noite. Se é verdade
Que sem mim só vês monotonia.
E se te lembras do brilho das marés
De alguns peixes rosados
Numas águas
E dos meus pés molhados, manda-me dizer:
- É lua nova -
E revestida de luz te volto a ver.
Hilda Hilst
Júbilo Memória Noviciado da Paixão(1974)
- O Poeta Inventa Viagem, Retorno e Morre de Saudade - I
(Poesia: 1959 - 1979 - São Paulo: Quíron; [Brasília]: INL, 1980.)
(Poesia: 1959 - 1979 - São Paulo: Quíron; [Brasília]: INL, 1980.)
Bravuras escríticas e quejandos
"(...) insinua que os pecados da carne, com a sua presunção de culpa ou inocência, gozam de menos impunidade do que quaisquer outros. Como se a moral respondesse a quem a desafia, a Natureza não perdoasse a quem a subverte e a sociedade actual, parecendo moderna, permissiva e livre, se conservasse tão inclemente como deuses no paraíso."
terça-feira, 10 de Novembro de 2009
Ambivalência ou a dor-de-cotovelo é lixada
Vou lá* e gosto, gosto, gosto muito e, de repente, não gosto nada.Aquilo desanda como a maionese à volta da colher, língua de fora e muita força no braço, que dói demais enquanto o fio de azeite engrossa e vai tudo para o lixo.
Escorre devagar pela malga; perde-se.
Vou lá levada por ele, por ele, por ele , por ele e quero gostar mesmo a sério, como se fosse imperativo do bom gosto ou do gosto assim-assim a inclinar-se para o bom, mas não consigo. Enerva-me um bocadinho, tanto que seja gostável, como a tendência para deslizar, sumir-se - pelo menos para mim - o sentido estrito de tudo, a linha imaginária, o cerne; até quase gritar de nervos. Raiva. Inveja. Pura.
E azeda.
* - não digo onde.
«E eles tiraram todo o género de coisas - tudo o que começa por M - ... tais como mosquitos, e o mar, e memória, e muitíssimo...»Lewis Carroll
Para a Maria João, com um miau.
À atenção do gato mimalho
"(...) Há um provérbio brasileiro que reza assim: «Acaba-se a amizade quando começa a familiaridade». É isso aí, viu? (...)"
Eu gosto de sentir saudades...

Power of the others
This mind crawls like a pregnant cat; like traffic.
I am in love with scientists.
They use simple sentence structures. Subject, verb, object.
The sun is a star. Fear is an instinct. The heart is an organ.
Each word is a molecule, the link in a chain, a single step along a
winding mountain path – at the end you look back and see a brave
new world, a shimmering landscape smiling shyly beneath you.
The scientists are neither charmed nor terrorised.
The scientists are radiant with patience.
They walk calmly, through the woods, through the trees.
Francesca Beard
Por causa da Fusão Nuclear, saber mais aqui.
Amizade batida
1 - " (...) Como nos casamentos mais bem-sucedidos, às vezes as amizades também precisam de uma "bofetada" libertadora. Não, evidentemente, de uma bofetada literal, mas de uma espécie de agressividade velada que deve existir em todas as relações humanas. (...)"2 - " (...) O acto sexual pode ser muitas coisas, apaixonado, desastroso, lascivo, competitivo, aborrecido, perverso, pode até ser simples débito conjugal, mas é sempre absolutamente contrário a qualquer noção útil de amizade. (...)"
segunda-feira, 9 de Novembro de 2009
“(…) sei bem que tudo o que uma mulher mais despreza é um homem que não a ameace de alguma maneira. “ -P.-Fiquei a remoer aquilo.
Não foi vãmente provocatório; na intenção de qualquer-coisa-de-Richter, queria que eu aceitasse as outras discretas evidências: as guerras ocasionais são desejáveis, para purga.
Fazermos como os bichos, que ensaiam lutas de morte, enquanto se riem entre rosnidos.
A faena da querença…
Dizem que é preciso dar tempo ao tempo.
Repetimos a máxima, sem pensar.
E o que é – exactamente - dar tempo ao dito?
Parar.
Esperar.
Cansar.
Por amar os livros
"(...) Os livreiros são livreiros porque têm uma dupla finalidade, uma delas é pública, a outra é, muito secretamente, pessoal. A pública é a de vender livros e divulgar a leitura, fazendo-o ao partilhar com os outros as suas próprias leituras. A outra, como dizia um editor meu conhecido, no fim da sua vida: «Eu errei sucessivamente de profissão, o que eu queria era estar junto dos livros para poder ler o que me apetecesse.» "Jaime Bulhosa
sexta-feira, 6 de Novembro de 2009
Perdidos na Lua
A sua nave espacial acaba de se despenhar na Lua.
Estava previsto um encontro entre a sua nave e outra mais importante a cerca de 300km do local onde se encontram, na face iluminada da Lua, mas a alunagem forçada destruiu a sua nave e todos os instrumentos a bordo, com excepção dos 15 artigos abaixo citados.
Para que a tripulação possa sobreviver, vocês terão de encontrar a outra nave. Devem, portanto, escolher os artigos mais indispensáveis para a marcha dos 300 km.
Queira classificar os 15 artigos abaixo indicados, por ordem de prioridade decrescente para a vossa sobrevivência.
01 Uma caixa de fósforos
02 Alimentos concentrados
03 20 Metros de corda de nylon
04 Seda para pára-quedas
05 Uma unidade de aquecimento portátil com bateria
06 Duas pistolas de calibre 45
07 Uma caixa de leite em pó
08 Duas garrafas de oxigénio de 50kg cada
09 Uma carta estrelar (constelação da Lua)
10 Uma jangada de salvação auto-insuflável
11 Uma bússola magnética
12 25 Litros de água
13 Foguetes de sinalização
14 Uma bolsa de primeiros socorros
15 Um emissor-receptor FM com bateria solar
Estava previsto um encontro entre a sua nave e outra mais importante a cerca de 300km do local onde se encontram, na face iluminada da Lua, mas a alunagem forçada destruiu a sua nave e todos os instrumentos a bordo, com excepção dos 15 artigos abaixo citados.
Para que a tripulação possa sobreviver, vocês terão de encontrar a outra nave. Devem, portanto, escolher os artigos mais indispensáveis para a marcha dos 300 km.
Queira classificar os 15 artigos abaixo indicados, por ordem de prioridade decrescente para a vossa sobrevivência.
01 Uma caixa de fósforos
02 Alimentos concentrados
03 20 Metros de corda de nylon
04 Seda para pára-quedas
05 Uma unidade de aquecimento portátil com bateria
06 Duas pistolas de calibre 45
07 Uma caixa de leite em pó
08 Duas garrafas de oxigénio de 50kg cada
09 Uma carta estrelar (constelação da Lua)
10 Uma jangada de salvação auto-insuflável
11 Uma bússola magnética
12 25 Litros de água
13 Foguetes de sinalização
14 Uma bolsa de primeiros socorros
15 Um emissor-receptor FM com bateria solar
quinta-feira, 5 de Novembro de 2009
The way you make me feel (XXVI)

sacudo-te devagar todas as manhãs
como um tapete já desfiado nas pontas
enleio-te no coração
onde dormes há tanto tempo nos meus sonhos
que a vida é pintada em aguarela
e
nada mais existe desde que me nasceste
como um tapete já desfiado nas pontas
enleio-te no coração
onde dormes há tanto tempo nos meus sonhos
que a vida é pintada em aguarela
e
nada mais existe desde que me nasceste
Gourmandises...

Isto é tão bom, mas tão bom, que nem devia divulgá-lo...
Agora, meninos, façam lá o trabalho de casa.
Bem.
"O COVIL*
Meninos de ouro, príncipes da Reboleira ou da avenida de Roma, desliguem-se já da Mátria que estas palavras não vos são dirigidas e corram para o colinho seguro das vossas mães, ou das vossas mães substitutas. Como é que sabe se é um menino de ouro? É fácil, apesar de tanto se. Se se vai abeirando dos entas, ou já está instalado ou íssimo neles e ainda vive com a mamã, ou voltou a viver com a mamã, é um bom indício. Se vive de casa de namorada em casa de namorada, como um saltimbanco pinga amor, sempre a julgar que sim, que desta vez é o "amor agitando seu coração", mude para o disco do Roberto Carlos e deixe de se iludir e iludir com o David Bowie, os Cindy Cat e outros rapazes giros… Se vive sozinho, pré casamento ou pós divórcio e a sua autonomia emocional é a que a aprovação da super referida mãezinha, eventual sogra do inferno, permite, é outro bom indício. Se nunca encontrou uma mulher que servisse para criada da sua estremosa mãe, é uma certeza! Esta agora vai falar mal dos homens que vivem grandes paixões e das mães que mimam os filhos, se calhar queria que os tratassem à pedrada! Temos pena, mas bingo! Você é um príncipe, um menino de ouro. É, enfim, aquilo que mais facilmente será entendido se for designado como TUDO O QUE NÃO QUEREMOS! XÔ!Nada disto é com vocês, rapazes, de vocês nós gostamos – entenda-se por rapaz, um heterosexual solteiro, divorciado ou viúvo e num estado de conservação emocional que oscile entre o médio e o óptimo, ou seja, passível de se apaixonar e nos apaixonar - que foi bem amado e mimado pela mãe e pelo pai. Bem e muito! E que os ama e mima de volta. Não queremos é os outros, os estropiados por falta ou excesso de zelo e que não souberam entrar, apesar das evidências, em AUTO REPAIR MODE. Sim, porque nós aceitamos consertados, agora a quererem que nós os consertemos... mais uma vez e em coro, temos pena! Nem queremos confundir uns, os rapazes, com os outros, os príncipes. Sim, às vezes os bandidos disfarçam-se e quando se descobre já há estragos suficientes para mandar o coração e os nervos para as urgências mais próximas.Recomeçando, você é um rapaz, um dos que não vai a salões de cabeleireiras, dos que convida para um primeiro jantar agradável e dos que têm, pontualmente, rasgos de génio e tontice. Está em ponto. Ponto pérola ou caramelo ou estrada, (um dia havemos de voltar a isto, aos pontos do açúcar no pesa xaropes) dependendo do que quer fazer com o açúcar. A personalidade, a vida. Esteja atento, mantenha a temperatura, não deixe queimar. Nós gostamos assim. Já passou a nervoseira do primeiro jantar, já foram ao cinema, até ia psicologicamente preparado, porque é valente como um samurai, para uma comédia romântica ou para a reposição de Jules et Jim, mas ela, discretíssima, diz-lhe, ai não me dê desgostos, eu queria era ir ver o Appocalypse Now na versão integral. Você foi e teve o prazer de a ouvir trautear baixinho e desafinada a Cavalgada das Valquírias acompanhada a pipocas e já discutiram, pós cinema, mais do que The Importance of Being Earnest, a importância dos super poderes dos hérois das BDs da infância numa batalha pelo topo da hierarquia, em suma, coisas que interessam. Continuamos esclarecidos neste ponto do display de conhecimentos? É que já falámos nisto antes, há dois ou três posts atrás. Insisto: quem se interessa pelo pavão a pupilar do alto ramo da árvore a beleza da própria cauda é a pavoa ou alguma caçadora de penas para o Carnaval do Rio; agora quem quer fazer apaixonar-se por si uma andorinha menina soalheira que cheira como a Primavera, não grita, chilreia, zinzilula. Adiante. Ela parece que gosta de si, do embrulho à companhia, passando pela conversa e programas de festas. Você acha-lhe graça. Mas a situação não avança: ela não lhe dá abertura para um abracinho, um beijinho ou um outro inho qualquer de que um rapaz em vias de se apaixonar tanto necessita. É das duras, música sim, dança, não, pensa você qual filosófico bailarino. Não desanime, ao contrário do que possa pensar isso é um bom sinal. Por sinal, muito bom. Quer dizer: não está a olhá-lo como a um objecto descartável. Demora-se, avalia-o, tira-lhe as medidas. Não porque queira ficar com elas, não se exceda em devaneios românticos, para a eventualidade de querer experimentá-las a ver se o corte é bom como parece. Isto a si parece-lhe mal, tanto cálculo! Não pense disparatinhos. Preferia estar ao lado de uma tola que não sabe distinguir um bom partido como você de um incapaz de se aventurar no mundo? Gostaria de ser confundido com um tolo? Eu cá não... nem com uma tola, quanto mais! Menino com menina, tolo com tola, porque é preciso baixar a taxa de acidentes cardio-amorosos.
Posto isto, vamos ao trabalho. Você vai convidá-la para ir à sua casa, ao seu apartamento. Ao covil. Faz bem, nós estávamos à espera disso, gostamos muito aliás, informação é poder, já dizia não me lembro quem, mas estava certo. Casa arrumada, espera-se, porque quem gosta de desarrumação é o seu homem a dias e só porque é a vocação profissional dele e você paga devidamente por essa competência. Contamos que não esteja a contar com aquelas princesas, alimentadoras de machistas, que para mostrarem que são boas “Noivas, Esposas e Mães”, o título deste codex herético é assim, mas no singular, se oferecem logo para dar jeitos em louças e roupas e para cozinhar. Siga, que o tempo urge e a minha vida não é isto. Ela acabou de chegar à sua casa arrumada e a preparação do jantar já vai avançada. Menos mal, prognóstico, 7. Começa no positivo. É educada por isso oferece os préstimos. É mesmo aqui que se inicia a verdadeira triagem. Não resvale, diga: obrigado, está tudo controlado, e remate com um esmagador, preparo-te um aperitivo? Pontos, palmas, 8.70, próxima eliminatória. E ajuda a por a mesa, queres? Tinha acabado mesmo antes de chegares, mas quero que me proves isto antes de eu rectificar os temperos. Rectificá-los é fundamental, é de quem sabe o que faz, 8.85. Aproximam-se os quartos de final. Acabou de colocar a comida na mesa. Em vez de dizer senta-te, por favor, 7.00, arrisque-se a criar o tal espaço que lhe falta, o que lhe dará, talvez, um dos inhos que gostava de conhecer. A cortesia vai-lhe garantir que esta manobra, de outra forma arriscada, é completamente segura, mas tem de ser preciso, comedido e sincronizado. A saber: com um toque leve na cintura da convidada diga-lhe enquanto a acompanha à mesa, deixa-me afastar-te a cadeira, senta-te por favor, 8.90. Quem é amiguinha, quem é? Sobre o durante e o depois do primeiro jantar no covil falamos depois.Claro, nada disto se aplica se você for o tal, o do post do passeio de bicicleta, porque nesse caso, não a teria convidado para o covil. Tê-la-ia convidado para um jantar piquenique surpresa com frutas e mousse de chocolate. Num jardim desconhecido."
Posto isto, vamos ao trabalho. Você vai convidá-la para ir à sua casa, ao seu apartamento. Ao covil. Faz bem, nós estávamos à espera disso, gostamos muito aliás, informação é poder, já dizia não me lembro quem, mas estava certo. Casa arrumada, espera-se, porque quem gosta de desarrumação é o seu homem a dias e só porque é a vocação profissional dele e você paga devidamente por essa competência. Contamos que não esteja a contar com aquelas princesas, alimentadoras de machistas, que para mostrarem que são boas “Noivas, Esposas e Mães”, o título deste codex herético é assim, mas no singular, se oferecem logo para dar jeitos em louças e roupas e para cozinhar. Siga, que o tempo urge e a minha vida não é isto. Ela acabou de chegar à sua casa arrumada e a preparação do jantar já vai avançada. Menos mal, prognóstico, 7. Começa no positivo. É educada por isso oferece os préstimos. É mesmo aqui que se inicia a verdadeira triagem. Não resvale, diga: obrigado, está tudo controlado, e remate com um esmagador, preparo-te um aperitivo? Pontos, palmas, 8.70, próxima eliminatória. E ajuda a por a mesa, queres? Tinha acabado mesmo antes de chegares, mas quero que me proves isto antes de eu rectificar os temperos. Rectificá-los é fundamental, é de quem sabe o que faz, 8.85. Aproximam-se os quartos de final. Acabou de colocar a comida na mesa. Em vez de dizer senta-te, por favor, 7.00, arrisque-se a criar o tal espaço que lhe falta, o que lhe dará, talvez, um dos inhos que gostava de conhecer. A cortesia vai-lhe garantir que esta manobra, de outra forma arriscada, é completamente segura, mas tem de ser preciso, comedido e sincronizado. A saber: com um toque leve na cintura da convidada diga-lhe enquanto a acompanha à mesa, deixa-me afastar-te a cadeira, senta-te por favor, 8.90. Quem é amiguinha, quem é? Sobre o durante e o depois do primeiro jantar no covil falamos depois.Claro, nada disto se aplica se você for o tal, o do post do passeio de bicicleta, porque nesse caso, não a teria convidado para o covil. Tê-la-ia convidado para um jantar piquenique surpresa com frutas e mousse de chocolate. Num jardim desconhecido."
Publicado em 23.04.2006
@ Eugénia de Vasconcellos
Mundo cão, pois.
A propósito da sempiterna presença da canzoada por aqui e daquela subtil química que existe entre os amantes dos animais, recordo o texto da deusa que me deixou em cólicas pelo estado do cão e que, a partir daí, foi recebendo os meus beijos epistolares com uma frequência semelhante à dos ciclos das marés.
Agora que se bandeou para paragens colectivas -mas desejando eu que regresse presto ao registo unipessoal, porque, na verdade, também se está tão optimamente só quanto bem acompanhada-, vou recorrer de tempos a tempos a algumas das suas jóias.
Porque sim.
"Hoje de manhã, quando o cão saltou para a cama para dizer, bom dia!, não ficou para os mimos de festas matinais e declarações da sua lindeza, unicidade e grande poder sobre as alegrias da dona. Pensei, mal!, está aflito para ir à rua. Fomos. Tempo contado. Voltámos. Começo a trabalhar e ele muito quietinho. Nem saltou para a secretária, nem veio desafiar com brinquedos na boca. Pensei, mal!, isto é da valente tosquia de sexta-feira, ainda não se habituou a tão pouco pêlo, tem frio e está zangado. Faço um intervalo, por volta da uma, ponho a bloga em dia que o fim de semana foi desblogado e ontem cheguei de viagem já tarde, e o cão começa a andar de um lado para o outro, à procura de uma posição, e eu, mas o que é que tens, e ele a enrolar-se, diz lá à dona, Cão, o que tens?! Nem colinho, nem mimos. Fica a olhar para mim. Não se queixa. Olha para mim... Veterinário. Felizmente ao lado da porta. Eu voltei, ele ficou. Hérnia estrangulada. Espero que ele volte que estrangulado já está o meu coração. Não faça "o morto", ouviu? "
Para o Cão, publicado em 30.03.2009
Eugénia de Vasconcellos
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