09/02/10

"um pontapé diário na tristeza" também pode ser assim?

"a soleira da ousadia contida e da aventura pressentida" é uma bela definição...

Nota (muito) breve ou ‘o seu a seu dono’.

Não é de agora. Desde a franja do crash que muitos se levantam contra ‘a banca’. Outros tantos comprazem-se em diabolizar um sector como se toda a culpa (como outrora toda a glória) lhe coubesse. Ou fosse tudo ‘farinha do mesmo saco’, não distinguindo, mal-intencionadamente, ‘o trigo do joio’.
O sector financeiro é estrutural numa economia, mas parecem esquecer que o edifício se compõe de outras peças. Que há um todo global para o qual olhar e onde procurar responsabilidades e reclamar atitudes. Da base ao topo.
Por exemplo, o cidadão. Indivíduo supostamente dotado de informação e objectivos.
O cliente da banca não é – não pode ou deve ser – acrítico e muito menos submisso.
Sempre teve direitos e recursos em caso de dúvida ou discordância.
E também teve – e tem - escolha. Mesmo que esperneie agora que não.
Existiu um tempo de galvanizantes ilusões, em que o sobrecarregaram de campanhas entorpecedoras, tais pareciam ser as facilidades? - Os adultos não devem acreditar no Pai Natal ou no coelhinho da Páscoa.
E é bem verdade que ‘quando a esmola é muita, o pobre desconfia’ – sucede que desde há umas décadas que toda a gente resolveu entender-se abastada ou candidata a tal – pelo que “cautelas e caldos de galinha” foram liminarmente votados ao desprezo. Era um fartar vilanagem de ‘pataca ganha, pataca gasta’ ou – pior e estupidamente frequente – ‘pataca’ gasta antes sequer de ser ganha.
Cada um sabe de si, como o BdP sabe de todos (muito por assim dizer).
Ou, como diria a minha mãe, “quem não tem dinheiro, não tem vícios”.
Lá está: é tudo uma questão de educação e princípios.
E sabedoria popular.
“- Love him for what he is, not his potential!”

“-What if love is not enough...?”


Californication

No fundo, sim.

1.ª Exposição individual de Fotografia de Sérgio Aires
Inauguração Sábado, 13 de Fevereiro de 2010 às 19 horas.
Nono Bar, Braga (Rua Cónego Rafael Alvares da Costa, 128 - Junto à Makro)

Lately I've been struck with how I really love what you can't see in a photograph.
An actual physical darkness. And it's very thrilling for me to see darkness again.
Diane Arbus

Sérgio Aires. 1969. Porto.
Não há um antes e um depois. Só há aquilo. E o outro. Um fotógrafo amador. "Amador" no sentido de amar a dor da observação. Desde muito cedo que a fotografia aparece como a única verdade possível. Uma licença para ir onde quiser e fazer aquilo que quiser. E uma arma de defesa e ataque contra a timidez. Partilha totalmente a convicção de Diane Arbus de que nunca conseguimos fotografar aquilo que queríamos; ou fica muito melhor ou muito pior.
No fundo, somos todos (ama)dores.
"A recessão económica manifesta-se sobretudo como crise da fantasia, de criatividade, o encerramento num círculo restrito onde não se arrisca nada, nem sequer o cansaço de pensar. Se não podemos agir, deixamos de projectar e até mesmo de imaginar e sonhar. (...)
(...) na actual recessão prevalecem o medo e a prudência, pelo que não só não se fazem coisas novas, como também existe o medo do que é novo. (...)
(...) As pessoas não tentam compreender, contentam-se com as notícias, lêem biografias que são um chorrilho de mexericos. À falta do novo, chegou a vez do monstruoso. (...)
(...) Como se sai de uma estagnação que tem como contraponto o fecho das fábricas, a falência das pequenas empresas, o espectro do desemprego? Começando por abandonar os pântanos intelectuais. Não devemos estragar o gosto das pessoas com espectáculos, livros, filmes e música de má qualidade. Temos à nossa disposição a mais selecta cultura mundial. Tiremos proveito dela, abramos a mente ao que nos enriquece em termos emocionais e intelectuais. Estudemos, trabalhemos, inventemos um trabalho, uma actividade nova. Façamos o que sempre quisemos fazer e a que renunciámos por timidez ou medo."


08/02/10

Echo and Narcissus

John William Waterhouse (1849-1917)

Ao atento Francesco.

Escrever saudades e outras minudências essenciais

Escrevia há pouco: "Sou uma compulsiva escritora de cartas. Adoro enviar e receber correspondência. É assim como... uma prova de vida. Faço recorrentes (e chatos) apelos a que me escrevam. Debalde. A vida não está para estes devaneios (entre outros). (...)" e recordava-me (como sempre) de um dos meus filmes favoritos- precisamente "84, Charing Cross Road", com os magistrais Anne Bancroft e Anthony Hopkins.
O livro que originou o filme é este. A história é obrigatória conhecer-se.
Simples e (talvez...) eficaz!

Ando há que tempos a defender isto mesmo...


"If you get to thinking you're a person of some influence, try ordering somebody else's dog around..."

07/02/10

06/02/10

Jornalismo de quê?!

05/02/10

...just leave it a mystery.

(…)

Drew? So, uh, I'll see you tomorrow night?

You include me out. I've had enough of the convocations.

You don't mean that. You don't want to disappoint Dad.

Daddy will do fine. Besides, he's got Joe. And it seems you do too.

You're out of line.

Well, that may be, but I don't like the ubiquitous creep.
I don't like the way he looks at you. I don't like the way he talks to you. And vice versa.

I'm sorry. 'Cause I like the way he looks and talks to me. And vice versa. Okay?

Not okay. Thought we had a good thing going here. I thought it was a good thing.

Well, that just goes to show you never know.

Night.

Good night.




How long have you been standing there?

I don't like the way he spoke to you. But I feel better now because of the way you spoke back.

Tell me about yourself, Joe. I mean, who are you? What are you doing here with my father? You're not going to tell me? You're married, aren't you?

Why?

Because men who never say anything about themselves, they're...
they're always married. So you're married?

No, I'm not.

But you... you have a girlfriend.

No.

Gay?

No.

So, tell me, Joe... How come a man as attractive, intelligent, well-spoken... diffident in the most seductive way, and yet... powerful... is all alone in this world?

I'm sorry.

I'm s... I didn't...mean to pry, and, uh, you obviously don't want to tell me, so we'll just...

We'll just leave it a mystery.

That is the way you want it, isn't it?

Yes, thank you.

(…)

("Meet Joe Black")

(meu rei)


não apagar palavras belas

seguro o coração ao colo
volto à epistolografia
amada

sofro-alegro-me


existiram

esses momentos


(fomos!)
felizes


doi...da...men...te
Tunideos: Thunnus albacares, Thunnus alalunga e Thunnus obesus.

Nasty game or naughty gals?

04/02/10

Temos pena mas




Isto não mata, mas mói.
Toca-nos a beleza desta existência e a magia do feito (chamemos-lhe assim), mas ressalta a enorme injustiça do facto: a mãe, seguramente, não terá oitenta anos.
E pronto, também temos o nosso Chaplin paternal...
“Quem procura o que não deve, encontra o que não quer.”

I love you like this, Jack R.

That's amore

Há uns tempos folheei uma colectânea de histórias de mulheres-que-amam-demais, amadrinhada pela notável Marília Gabriela ( e com prefácio do valente Agualusa).
Ficou lá. Temo uma revolta das dezenas de livros que se vão encavalitando na minha vida, sem que consiga (ou me apeteça, para ser franca), sequer, espanar-lhes o pó.
No entanto, o tema ficou-me na ideia: ‘Amar demais’…
Qual é a quantificação exacta de semelhante?
Quando me pediu algo parecido: “Não gostes tanto de mim…” fixei-o, atónita.
Pois se era a luz da minha vida, que podia eu fazer? À data (não muito longínqua) morreria por ele. Facto. Hoje talvez hesitasse no fundamentalismo se tivesse de ponderar (de impulso, saltaria na trajectória da bala – é dado a uma actividade crescentemente arriscada -), mas continuava a doar-lhe de bom grado o sangue, a medula, um rim, o meu amor.
Não que eticamente mereça, por ser um bocadito tratante, mas como vale infinitamente mais do que eu (para mim e para o mundo), ser-me-ia inevitável.
É isto, ‘amar demais’?

À atenção de Cecília Carmo

Gosto muito da sua apresentação das notícias e já por aqui mencionei o facto de ser muito bonita e das mais agradáveis pivots da nossa televisão, mas permita que me arrelie um bocadinho devido a esse péssimo hábito de interromper constantemente os entrevistados.
Sobretudo – oh, sobretudo! – nunca mais o interrompa a ele. Obrigadinha.

The swedish connection strikes again

"Jealousy" - Mats Eriksson

"Seu Edibar"




(clickar cada quadro, para se ver melhor...)

Estalinismo requentado


And this is the letter

And this is the letter that will not leave.
That I cannot write. This is the letter. The letter
that falls in its carrying. In the killing of
its crushing, its clinging
in its excesses and its masks. This
is the letter which lifts up and
travels from one word to another
grimaces in the torment of its
hardening. In its emptiness. In its own
contamination. This
is the letter buried without madness. Drowning in
its own inexplicable cry. And this is the letter, the
interletter
that does not write. Does not speak but in
nightmares. In the death of its enunciation which
rises, swells in
indefatiguable profusion. Renders its
presence in immediacy and madness. In hysterical
desire.
This letter of letters of doors, thresholds,
capacities, amplitudes, omissions and promises.
Depths and pleasures. That trembles with tension.
Stretched / in its torments of
glyphs, glas gloss / glassary rasp lisps
in its missing . In its
hiddeness and limits. In scattered separations
mocks in anxiety. In foreigness and deception
swells
into the letter this letter
sung in its horror, anger, agon. Suffers
in substitution, redistribution and bears the
unbearable, irrepressibly posited in
hunger and withdrawal. In staggered familiarity,
desire and exchange;
the letter of the letter that witnesses
and withstands its usage.

Adeena Karasick
in
Contemporary Verse 2. Vol. 21 No. 4
-Winnipeg, Spring 1999-

03/02/10


yumeji ni wa
ashi mo yasumezu
kayoedomo
utsutsu ni hitome
mishigoto wa arazu



Ono no Komachi

O meu Japão (II) (com isto quero-te fora do quadrado, leva a espada, o cinto-com-o-nome-bordado, a cerimónia do chá do nosso Moraes e as quinquilharias (preciosas) que me esforço por não querer. Cala as filosofias que tanto declamavas e nunca conseguiste fazer prevalecer. Leva os guizos e as tabuinhas-da-sorte (qual?). Deixa os mapas. Sempre gostei de apontar os países onde nunca iria viver)

O meu Japão (I) (com isto quero-te fora do círculo, leva as coisas ungidas com wasabe, leva os beijos distraídos, o kimono que nem é de seda - sempre foste um avarento -, as bonecas (só acertaste à segunda vez, e à terceira viagem) e as faixas que reclamavas de judo, mas agitavam bondage ao vento)

Burqa nela?

Trop déshabillé, la japonaise ! - escrevem-me, em aflição – et voilá, alma inquieta, calmez-vous, quoi! ...
"Aprendi-o em doze anos de râguebi mas a própria vida também me o poderia ter ensinado: derrota não é cobardia. Cobardia é outra coisa. Falta de comparência, por exemplo."

O Japão ficou para trás. Um certo Japão, quero dizer.
Mas há aqueloutro que vinha desde sempre e esse, esse resgato-o a cada encontro fortuito.
Como este. Desvios de caminho e esquinas. Abalos. Bons.
A foto e o texto - distintas e distantes - saídas do mesmo vulcão adormecido.
Paisagem que nunca vira, sempre aqui. Até já.

The Cullens live here






Jeff Kovel desenhou.
O espaço visual da sua Skylab Architecture merece uns momentos.

"It happens that my soul quivers before your wavelike presence"



Visionary Eulogy (part 2)
Oswaldo


I am no object of desire of yours . . .
The blades of my soul
Are overladen with racemes of light.
Smeared with the mysterious darkness from the glow of words
My hands confiscate my days
glaring with ink
that flows painfully opaque
on the breast of dreams . . .
Horror-stricken, I drink at the lofty heights
Whose marine dew blessings surround me
With vows of nothingness
And wild goats of whiteness . . .
The sky’s fibres testify
To my disobedience
And my disengagement from the sin of original disclosure . . .
From the pain that lurks
Behind the white sun
And the musical minaret of speech.

© 2002, Amina El Bakouri
From: Ra’ian ya’tika l’madih
© Translation: 2004, Norddine Zouitni

Visionary Eulogy (part 1)
Oswaldo

It happens that my soul quivers before your wavelike presence
So in evenings not like these evenings
My mature blossoms start budding . . .
It happens that towards you
Sweeping nostalgia transports me
So to your lantern-lit boulevards I rush
Seeking, amid daybreak variegations,
My grief-stricken voice . . .
When it laid for your veins’ itinerary,
Plans from erring poems
And moons

© 2002, Amina El Bakouri
From: Ra’ian ya’tika l’madih
© Translation: 2004, Norddine Zouitni

02/02/10

Preces





Deux ou trois trucs

Serão os laços transmontanos, que num ápice evocam fartas tertúlias de saboroso verbo, entremeado de espessa emoção e doces memórias.
Ou as influências gráceis e apaladadas de quem o visita amiúde, cedendo receitas com um sorriso; certo é que, uma vez na cozinha para bater o bolo, também poderá aproveitar para tostar o creme.
Festejando o primeiro aniversário de uma espécie de terna aldeia íntima num estupendo cenário cosmopolita, eis a fórmula verdadeira - e, dizem, única - de um doce característico dessa nova terra de aceitação:
Crème brûlée

- 10 cL de lait
- 10 cL de crème liquide
- 2 jaunes d'oeuf
- 30g sucre
- 1 cas vanille liquide
- 1/3 gousse de vanille

Mettre à bouillir dans une casserole le lait, la crème avec la vanille liquide et la gousse fendue et grattée. A part, fouetter les jaunes et le sucre. Verser le liquide bouillant dessus, bien fouetter et retirer la gousse. Verser dans les 2 ramequins et faire cuire au moins 1h à 1h15 au bain-marie à 150°C. Laisser reposer une nuit au frigo. Saupoudrer de sucre et "brûler" le dessus au chalumeau.

Portanto, está para durar...


"If Candlemas Day be fair and bright, winter will have another flight; if on Candlemas Day it be shower and rain, winter is gone and will not come again."

O desespero

O postal


A carta

Alfredo Keil 1874,
óleo sobre tela 92 x 73 cm
Museu do Chiado
Lisboa, Portugal

E esta, também...

Essa é que é essa!

01/02/10

Brothers in Arms


Os acasos têm destas coisas.
A Vera fala de paparocas exóticas (não me vou deter na sopa nem nos pastéis de foca (!!!), por amor de Deus!...) e mostra uma belezura de um crustáceo, remetendo para um livro que me suscita, além de curiosidade, uma grata memória.
Da taquicardia patriótica que impele a escrita ao autor resulta uma réplica gentil, com nota de outra publicação, desta vez por cá.
E tudo isto me traz de repente uma saudosa e salgada memória de um dos livros que marcaram uma importante fase da vida.

¡Átame!

é impossível
esquecer
tantas vezes
creio que
todas as vezes
sempre
aliás
impossível
não olhar para trás
o calendário
o relógio
as vozes
o tambor surdo no peito
as mãos frias
os olhos (que) ardem
a recusa
a patranha
procuro o dia, a hora, o local
(constantemente)
sei a exacta cadência da respiração
olho-te de novo
ris-te ainda
e recomeçamos
e digo
deixa-me clamar
contar-te da mentira
a que inventaste
e eu aceitei
o vazio da falsidade
a minha fraqueza
a distância
a tua covardia
morro de pena
de nós
(e dos outros, também)
e ainda assim continuas:

Das cartas

Se me escreveres muito, tanto que me faças sorrir, prometo - e sabes como cumpro tudo o que prometo -
- que te escrevo ainda mais.
Mas afinal ...
em que ficamos?!

Há 102 anos

“Oh, whatever you do, never flinch from your King,
From your Country, your Parents and all
The best Blessings which from honest Duty do spring,
To join in a mutinous brawl:
For mind me, my Mates, and I say it in sooth,
To avert you from every dread evil,
That the one is the way of high Honour and Truth,
But the other the road to the Devil!”

Anon, eighteenth century

E por Lord Bic respeitosamente recordado antes.

"O efeito manada é terrível"


"(...) Quando estava na agência e tinha reuniões com a minha equipa, eu dizia-lhes: vou contar-vos esta ideia, mas depois vão-se embora e pensem, não digam nada aqui, por favor. Já vos conheço: juntos, como grupo, vocês são perigosos, não pensam, são conformistas. O efeito do grupo na inteligência individual é assustador.(...)"


(...) Deu para perceber que as pessoas acham que sabem muitas coisas mas sabem bem pouquinho. Sabem no máximo algumas coisas sobre elas, sobre a família e os amigos. Mas todas querem saber e impor as regras da sociedade. Se aceitar essas regras, vou fazer aquilo que todos já fizeram. (...)"


31/01/10

...outra na ferradura (o centenário da república - II -)

Seja porque foi uma figura original, seja porque conheci bem a família, ou porque hoje o 'Câmara Clara' (Canal 2, pelas 22h40m) o terá como tema, Manuel Teixeira Gomes é justamente referenciado aqui e agora. E recordado sempre.
Afinal, foi assim que o meu carinho pelo Algarve começou há muito: por Portimão.

Uma no cravo...(O centenário da república- I -)

30/01/10

Cartas que não posso redigir (II)

Votre silence me fait mal.
Je ne vous accuse point ; mais je souffre, et j’ai peine à me persuader qu’avec un intérêt égal à celui qui m’anime, je fusse un mois sans entendre parler de vous ; mais, mon Dieu! dites-moi, quel prix mettez-vous donc à l’amitié, si le mouvement vous en sépare tout à fait ? Ah! Que vous êtes heureux !
Un roi, un empereur, des troupes, des camps, vous font oublier ce qui vous aime, et (ce qui est peut-être plus près encore d’une âme sensible) les personnes que votre amitié soutien et console.
Non, je ne vous cherche point de tort, et je voudrais même que votre oubli ne m’en parût pas un ; je voudrais trouver en moi la disposition qui fait tout approuver ou tout souffrir sans se plaindre.
Voilà ma cinquième lettre sans réponse ; je vous demande combien il y a de personnes avec qui vous feriez de pareilles avances.
Je ne sais pourquoi je m’étais persuadée que je recevrais de vos nouvelles de Breslau, soit que vous reçussiez la lettre que je vous y ai adressée, soit qu’elle fût perdue ; mais mon espérance a été trompée.
Oh ! je vous hais de me faire connaître l’espérance, la crainte, la peine, le plaisir : je n’avais pas besoin de tous ces mouvements, que ne me laissiez-vous en repos ? mon âme n’avait pas besoin d’aimer ; elle était remplie d’un sentiment tendre, profond, partagé, répondu, mais douloureux cependant ; et c’est ce mouvement qui m’a approchée de vous : vous ne deviez que me plaire, et vous m’avez touchée ; en me consolant, vous m’avez attachée à vous et, ce qu’il y a de bien singulier, c’est que le bien que vous m’avez fait, que j’ai reçu sans y donner mon consentement, loin de me rendre facile et souple, comme le sont les gens qui reçoivent grâce, semble, au contraire, m’avoir acquis le droit d’être exigeante sur votre amitié.
Vous qui voyez de haut et qui voyez profondément, dites-moi si c’est là le mouvement d’une âme ingrate, ou peut-être trop sensible : ce que vous me direz, je le croirai.
Si je voulais, ou plutôt si je n’étais pas inquiète et mécontente de votre silence, je vous ferais une querelle, que vous entendriez à merveille, à laquelle vous répondriez avec plaisir, et votre justification serait sans doute un nouveau crime ; mais vous êtes si loin, vous êtes si pressé, si occupé, et pire que cela, enivré ! ce mot me venge ; mais il ne me contente pas.
Revenez donc : je vois le temps s’écouler avec un plaisir que je ne puis exprimer.
On dit que le passé n’est rien, pour moi, j’en suis accablée, c’est justement parce que j’ai beaucoup souffert, qu’il m’est affreux de souffrir encore.
Mais, mon Dieu ! il y a de la folie à me promettre quelque douceur , quelque consolation de votre amitié : vous avez acquis tant d’idées nouvelles ; votre âme a été agitée de tant de sentiments divers, qu’il ne restera pas trace de l’impression que vous aviez reçue par mon malheur et ma confiance.
Eh bien ! venez toujours ; j’en jugerai et je verrai clair : car l’illusion n’est point à l’usage des malheureux ; d’ailleurs vous avez autant de franchise que j’ai de vérité ; nous ne nous tromperons pas un moment ; venez donc, et ne rapportez pas de votre voyage l’impression de tristesse que le chevalier a apportée d’Italie.
Il parle de tout ce qu’il a vu sans plaisir, et tout ce qu’il voit ne lui en fait pas davantage ; en un mot, je ne changerais pas ma disposition contre la sienne, et cependant je passe ma vie dans les convulsions de la crainte et de la douleur ; mais aussi, ce que j’attends, ce que je désire, ce que j’obtiens, ce qu’on me donne, a un tel prix pour mon âme !
Je vis, j’existe si fort, qu’il y a des moments où je me surprends à aimer à la folie jusqu’à mon malheur.
Voyez si, en effet, je n’y dois pas tenir, s’il ne doit pas m’être cher : il est cause que je vous connais, que je vous aime, que peut-être j’en aurai un ami de plus ; car vous me le dites : si j’avais été calme, raisonnable, froide, rien de tout cela ne serait arrivé.
Je végéterais avec toutes les femmes qui jouent de l’éventail, en causant du jugement de M. de Morangiez, et de l’entrée de Mme la comtesse de Provence à Paris.
Oui, je le répète : je préfère mon malheur à tout ce que les gents du monde appellent bonheur ou plaisir ; j’en mourrai peut-être, mais cela vaut mieux que de n’avoir jamais vécu.
M’entendez-vous ? êtes-vous à mon ton ? auriez-vous oublié que vous avez été aussi malade et plus heureux que moi ?
Adieu ; je ne sais comment cela se fait : je ne voulais vous écrire que quatre lignes et mon plaisir m’a entraînée.
Combien y a-t-il de personnes que vous avez plus de plaisir à revoir que moi ?
Je m’en vais vous en donner la liste. - Mme de ***, le chevalier d’Aguesseau, le comte de Broglie, le prince de Beauveau, M de Rochambeau, etc, etc, etc, Mmes de Beauveau, de Boufflers, de Rochambeau, de Martinville, etc, etc, et puis le chevalier de Chatelux, et puis moi, enfin, et à la fin.
Eh bien ! voyez la différence ; je n’en nommerai qu’un contre vos dix, mais le cœur ne se conduit pas d’après la justice : il est despote et absolu.
Je vous le pardonne ; mais revenez.


Julie de Lespinasse,
(1732-1776)

Au comte de Guibert
Lundi, 6 septembre, 1773

Cartas que não posso redigir (I)

15 April 1862





Mr. Higginson,



Are you too deeply occupied to say if my Verse is alive?

The Mind is so near itself – it cannot see, distinctly – and I have none to ask –

Should you think it breathed and had you the leisure to tell me, I should feel quick gratitude –

If I make the mistake – that you dared to tell me – would give me sincere honor – toward you –

I enclose my name – asking you, if you please – Sir – to tell me what is true?

That you will not betray me – it is needless to ask – since Honor is it’s own pawn –




Emily Dickinson