31/12/09

2010: "...love moderately..."



ROMEO
Amen, amen. But come what sorrow can,
It cannot countervail the exchange of joy
That one short minute gives me in her sight.
Do thou but close our hands with holy words,
Then love-devouring death do what he dare;
It is enough I may but call her mine.

FRIAR LAWRENCE
These violent delights have violent ends
And in their triumph die, like fire and powder,
Which, as they kiss, consume. The sweetest honey
Is loathsome in his own deliciousness
And in the taste confounds the appetite.
Therefore love moderately. Long love doth so.
Too swift arrives as tardy as too slow.

Act 2, Scene 6
Romeo and Juliet
William Shakespeare

Balanceando


Filme do ano? Livro? Disco? O plural disso tudo?
…não sei; ou por outro lado, talvez me ocorressem coisas que vos arrepiariam.
Isto aqui não é nada, excepto um olhar repleto de dúvidas, um perpétuo questionar, pois até quando afirmo, na realidade, inquiro(-me).
Frase do ano?
Hmmmm…
“I just couldn't live in a world where you didn't exist.”
De quem?
Ora…
:)
Obrigada pela companhia, humor, carinho, tolerância e compreensão.
E pelo tanto que aprendo.
Com todos.
Um excelente Ano Novo!

(so sue me!)


Ano novo, contas velhas


Estado da Nação

Necessidade básica

Faço meus os desejos dele (menos o último, que me parece futebolês...humpf!)
Cada vez gosto mais deste blogue.

29/12/09

Pobres e aluados...

"(...) os portugueses bateram, este Natal, o record de levantamentos em multibanco. Foram "apenas" 80,7 milhões de euros por dia no período de 1 a 26 de Dezembro, totalizando mais de 2,1 mil milhões de euros naquela rede. Só no dia 23, as caixas automáticas registaram 3,3 milhões de operações num valor de 127 milhões de euros. (...)"
Andava para resmungar sobre isto, mas o vampiro distrai-me...
Nem de propósito, aqui se expõe a perplexidade destas incongruências que, sim, são bem mais graves do que a minha fascinação pela saga.

A Estatística não é uma ciência exacta - e um vício é um vício, é um vício, é um vício, é um vício, é um vício, é um vício...

“O 2º capítulo da saga de Twilight, Lua Nova, bateu recordes de bilheteira impressionantes para um filme que adapta uma série de livros recente.
A história da mortal Bella (Kristen Stewart) e do vampiro Edward (Robert Pattison, que o Destak entrevistou em Novembro), apaixonou pessoas por todo o mundo.
Não só teve a melhor estreia de sempre nos Estados Unidos como foi o filme mais visto durante três semanas em Portugal (meio milhão de pessoas). (…)”

Destak, 29/12/09

euzinha contribui com quatro ingressos...
(toda a gente tem direito a uma ou duas grandes maluquices na vida; gastei as minhas, a partir daqui podem internar-me!)

Dos símbolos

- obrigada Nuno -

Da Fé

"Fé, mesmo sem Deus

Quando li “A Estrada” (Relógio D’Água), pensei logo que este livro seria o pretexto ideal para a crónica do dia de Natal. “A Estrada”, meus amigos, foi a minha Estrada de Damasco.
Neste romance, Cormac McCarthy cria um cenário apocalíptico. Uma desgraça bíblica obliterou a vida na Terra. Estamos num inverno nuclear. É tudo gelado e inóspito. Mas no meio desta brancura agreste aparece um homem. Um homem sem nome. É o último Adão, um Adão ao contrário, um Adão no Apocalipse. Ao lado do homem, vemos um menino, também sem nome. É, se quiserem, o último anjo de um Deus foragido. Pela estrada, caminham em direcção à costa. Passam fome e frio. Fogem de bandos de canibais num espaço sem qualquer rasto de humanidade. Não há lei. Não há ética. Não há deus. Não é possível ter esperança neste mundo, mas ele, o homem, continua a lutar, continua a andar, continua a proteger o seu filho. O mais lógico seria pôr um ponto final no sofrimento de ambos, mas ele continua a resistir. Porquê? Para quê?
Deus deixou de existir. Foi vencido, e alguma coisa governa no seu lugar. Mas, mesmo assim, o homem continua a lutar como se Deus existisse. E é esta a força que nos arranca pela raiz ao longo do livro. É esta a força que nos deita abaixo. É esta a força que funciona como uma revelação para um pobre descrente como eu. Não importa se Deus existe ou não, porque o único Deus que interessa é aquele que cada homem transporta dentro de si. E esse Deus existe mesmo. Tem, aliás, vários nomes: “amor”, “ternura”, “honra”, “Direito Natural”, “fé”, e, claro, “Deus”. Mas o nome não interessa. O que interessa é o significado que está escondido em todas essas palavras: existe um “dever” situado acima da lógica e da história. É esse dever que nos salva desse inverno nuclear interior que é o mundo sem consciência individual.
Sou agnóstico. Não consigo dar o salto da fé. Não consigo suspender-me e entrar no deserto que, uma vez atravessado, vai dar à fé. Mas isto não quer dizer que sou insensível à presença do “dever”. Mesmo perante a morte de Deus, há uma centelha sagrada que não se apaga. Mesmo na ausência de Deus, eu sei que devemos reforçar a trincheira da bondade, e fazer fogo sobre tudo o que ponha em causa essa mesma bondade. E o Natal, meus amigos, é o renovar anual dessa centelha. Haja ou não haja Deus. Aos 30 anos, precisei de ir até ao Apocalipse para entender o Natal. Talvez aos 40 tenha a coragem para atravessar o deserto. Bom Natal."

HENRIQUE RAPOSO
in
Expresso 23/12/09

O destaque é meu.
A candura é dele.

Das Grossnialidades

Não é bem à primeira; digamos que é mais à sétima ou à oitava.
Googla-se o nome e surgem fotos proparoxítonas (que bela palavra…) e, de repente, a pretexto do livro de alguém, lá assoma.
Gosto das suas análises, invariavelmente doutas e dramaticamente austeras.
Aprendo o que esperava e mais. Isso é muito bom; muito mais do que conseguirei alguma vez explicar.
E agora, a propósito disto, apeteceu-me deixar-lhe uma espécie de tributo.
Merecidíssimo.

28/12/09

"Ama e faz o que quiseres"


Apetecia-me escrever que este Natal foi especialmente bom graças aos homens.
Na verdade, foram superlativos (excepto aquele que o não foi) e entre uma surpresa e outra, até houve espaço para uma grata reconciliação.
Mas seria injusta para com as mulheres.
Também foram excepcionais (salvo a que me olvidou), e se mantive alguma estabilidade no meio desta época, foi muito graças a certas delicadezas que só elas sabem engendrar.
Lembrei-me por causa de Santo Agostinho- “Ama e faz o que quiseres. Se calares, calarás com amor; se gritares, gritarás com amor; se corrigires, corrigirás com amor; se perdoares, perdoarás com amor. Se tiveres o amor enraizado em ti, nenhuma coisa senão o amor serão os teus frutos.” -que, de tão iluminado, cegava para a malícia humana.
Bem-haja, mesmo assim.
Ou por isso mesmo.

Depois daquilo, isto


"(...) a vida é muito mais simples do que o que sobre ela possamos pensar.(...)"

Francisco Seixas da Costa

Desabafo com três horas de sono e cinco cafés ou eu queria era ser pequenina!

Segunda-feira no 'batente'; balanço 'natalício'...
Faltou o pão para o doce. E, vendo bem, o óleo.
Canela havia, açúcar, idem; paciência, nenhuma.
Faltaram pilhas; o controle remoto da TV grande pifou.
O frigorífico não gela, entra água numa janela (não vejo por onde).
A Ingrid larga mãos cheias de pêlo.
A mãe teve um princípio de AVC, o carro ficou sem travão de pé.
A lavagem de pilhas de louça segue-se aos infindos cozinhados, que se sucedem às malditas arrumações.
Na sanzala, o trabalho multiplica-
se porque, comparando com os que ficam, demasiados foram de férias.
Há uma criança já internada e outra com suspeita de gripe A.
Pais ralados e nós stressados.
Final de trimestre, de semestre, de ano.
Chuva, frio, mal-estar geral.
É oficial: detesto Dezembro.
(e depois censurem-me por me escapulir para o mundinho de fantasia…; see if I give a damn!)

A minha Paris (contigo, sem ti)

Jóias aromatizadas



27/12/09



Fire and Ice

Some say the world will end in fire,
Some say in ice.
From what I’ve tasted of desire
I hold with those who favour fire.
But if it had to perish twice,
I think I know enough of hate
To say that for destruction ice
Is also great
And would suffice.

Robert Frost

26/12/09

“But of the tree of knowledge of good and evil, thou shalt not eat of it: for in the day that thou eatest thereof thou shalt surely die.”

Genesis 2:17
“(…) When life offers you a dream so far beyond any of your expectations, it’s not reasonable to grieve when it comes to an end. (…)”

Preface
‘Twilight’
Stephenie Meyer

A idade é só um número?

Susan Sarandon e Tim Robbins.
Como Vanessa Redgrave e Timothy Dalton, ou Marília Gabriela e Reynaldo Gianecchini.
A par com a fama pelas carreiras profissionais, a admiração pela desmesurada diferença de idades.
Mas apenas porque eles são mais novos, já que exemplos de mais de uma década entre cônjuges quase passam desapercebidos, forem elas mais jovens (been there).
É até encarado como quase…’ideal’.
Susan tem em relação a Tim uma simpática diferença de doze anos de idade (done that) .
Depois de mais de uma vintena a contrariarem as dissonâncias, engrossaram a estatística das separações.
É claro que o que os apartou não foi a idade. Não? Sabemos lá - e pouco importa -, mas, mesmo tentando resistir, essa condição vem sempre à ideia, não é? Como se houvessem fórmulas e, para que uma união perdurasse, o príncipe tivesse de ser forçosamente mais velho do que a donzela (bought the T-shirt).
Sobra Demi Moore e Ashton Kutcher.
Vamos ver até quando.
(Aceitam-se apostas.)

25/12/09

Diz que é uma espécie de sortilégio...

E em inglês é tão mais...yumi!

Um Natal carnavalesco (mas breve)


Um Natal muitíssimo mais a sul



Os minutos tépidos do novo dia de Natal, enquanto contavas os brilhos da Ursa Maior (ou seria a Menor?) e rias do cansaço, foram preciosos.
Obrigada pela partilha - quer de receios, quer de esperanças-.
Desta madrugada gelada aqui para esse alvorecer macio aí, um beijo doce.
(merecemos, não é?)

24/12/09

Um Natal em Vila Nova de Cerveira



Bom que tenhas regressado.
Que tenhas ido e tenhas gostado.
Que te tenhas lembrado e telefonado.
Bom que mantenhas esse riso de cascata fresca.
E essa voz calorosa.
Sorrio sempre, mesmo que não vejas.
(beijo grande, também)


A todos os que por aqui passam; aos que apareceram mesmo (!), àqueles que amorosamente ligaram, aos que enviaram SMS gentis, aos que redigiram e-mails (porque sabem que adoro 'correspondência'), aos que, longe (muito longe) pensaram em mim e arranjaram forma de comunicar, aos que não puderam, e mesmo aos que não quiseram, um grande Bem-Haja! e uma noite serena.
Todos sabem quanto lhes quero bem.
E não, não esqueço ninguém.

Última hora!

23/12/09

Fartote de perguntas ou a rebeldia da época

Porquê? Porquê?
Porque se abeiram, afectivos, aos abraços e beijos, a murmurar ‘Bom Natal!’?
Porque me deprimem com embargos de voz, rubores, palpitações e um vago marejamento de olhos?
O que é que tine no peito de tal forma vibrante e peculiar, que, mesmo cerrando os dentes e enjeitando folclores, me impede de declinar?
O que se quer manifestar com isso de ‘Bom Natal!
E ‘muitas prendinhas’ porquê? Que fiz para merecê-las?!
De há uns dias para cá, só há lojas pejadas, ruas engarrafadas, magotes em todo o lado, correrias e depois…, bacalhau com batatas, doces, frutos secos, luzinhas e caixinhas.., estafas entre a cozinha e a sala... - isso é que é, ‘ter’ um ‘Bom Natal!’?
Recebem-se mil telefonemas esbaforidos - como se fôssemos todos partir para longe e para sempre -, uns já escassos cartões natalícios, com frases típicas rabiscadas à pressa, mas muitos vigorosos SMS, com repetidas frases de ocasião.
O que significa, realmente, isto? (...ai que nervos!)

'O' Packard...


...sim, descapotável; nos sonhos TUDO é possível. A neve passa ao lado...

'Saison oblige'



Talvez porque gosto da sua voz rouca, ou porque é de facto uma balada muito primorosa, mas, de todas as canções natalícias, mesmo as ditas clássicas, esta do Chris Rea é a minha favorita.
É como se fosse num Packard atravessando o meu Eldorado em direcção a um lar doce e quentinho, onde só existe amor.
Este ano tivemos mais um anjo na nossa ‘big happy family’ – a Shelby antecipou o Natal no agora branquinho estado do Utah.
É linda. Uma espécie de ‘menino Jesus’.
E que falta a esperança faz…
Na Florida e na Califórnia a prole mantém-se estável.
Para todos, uma época com saúde e serenidade.
Creio que é o essencial, já que o resto tende a advir por acréscimo.
Boas Festas!
Era uma vez uma menina que acreditava no Pai Natal...

21/12/09

Do teu melífluo obséquio - um tinteiro veneziano, uma pena de cristal e pergaminho aromatizado a sândalo - inflamam-se-me as palavras, evolando olor a enxofre.

INVERNO

Chegou, já anunciado, e fere no insensível vazio.
Existem decessos enregelados nas estatísticas humanitárias.
Pranteamos, mortificados pelo desamparo tornado tão possível.
Dos animais nunca se fala.
Mas eles vivem.

20/12/09

Utmost chivalrous...

“(…) It was the wrong thing to do. Unless you looked at it from a more obscure point of view.
It just seemed so… unchivalrous to slander the girl behind her back, especially when she was proving more trustworthy than I could have dreamed. She hadn’t said anything to betray me, despite having good reason to do so. Would I betray her when she had done nothing but keep my secret? (…)”

Chapter 4 – Visions

“(…) Did I love her? I did not think so. Not yet. Alice’s glimpses of that future had stuck with me, though, and I could see how easy it would be to fall into loving Bella. It would be exactly like falling: effortless. Not letting myself love her was the opposite of falling – it was pulling myself up a cliff-face, hand over hand, the task as gruelling as if I had no more than mortal strength. (…)”

“(…) I was not the one she was destined to say yes to. It was someone else, someone human and warm. And I could not even let myself – someday, when that yes was said – hunt him down and kill him, because she deserved him, whoever he was. She deserved happiness and love with whomever she chose.
I owed it to her to do the right thing now; I could no longer pretend that I was only in danger of loving this girl.
After all, it really didn’t matter if I left, because Bella could never see me the way I wished she would. Never see me as someone worthy of love.
Never.
Could a dead, frozen heart break? It felt like mine would.
“Edward”, Bella said.
I froze, staring at her unopened eyes.
Had she woken, caught me here? She looked asleep, yet her voice had been so clear..
She sighed a quiet, sigh, and then she moved restlessly again, rolling to her side – still fast asleep and dreaming.
“Edward,” she mumbled softly.
She was dreaming of me.
Could a dead, frozen heart beat again? It felt like mine was about to.
“Stay,” she sighed. “Don’t go. Please… don’t go.”
She was dreaming of me, and it wasn’t even a nightmare. She wanted me to stay with her, there in her dream.
I struggled to find words to name the feelings that flooded through me, but I had no words strong enough to hold them. For a long moment, I drowned in them.
When I surfaced, I was not the same man I had been.
My life was an unending, unchanging midnight. It must, by necessity, always be midnight for me. So how was it possible that the sun was rising now, in the middle of my midnight? (…)”

Chapter 5 – Invitations
"Midnight Sun" (unfinished draft)
Stephenie Meyer

Bonança

“(…) - Com que frequência? – perguntei com indiferença.
-Hã?
Parecia que o distraíra de outra linha de raciocínio.
Eu continuava a não me voltar.
-Com que frequência vinhas aqui?
-Venho aqui quase todas as noites.
Eu virei-me rapidamente, estupefacta.
-Porquê?
- És interessante quando dormes – proferiu de modo objectivo. -Falas.
- Não! – exclamei ofegante, com um calor a inundar-me o rosto até à linha do cabelo.
Agarrei-me ao balcão da cozinha para me apoiar. Eu sabia, evidentemente, que falava durante o sono, a minha mãe troçava de mim a esse respeito. No entanto, pensei que era algo com que não tinha de me preocupar ali.
A expressão dele alterou-se imediatamente, mostrando-se desgostoso.
- Estás muito zangada comigo?
- Depende!
Sentia-me como se me tivessem tirado o fôlego e o meu tom de voz reflectia esse facto.
Ele esperou.
- De quê? – insistiu.
- Daquilo que ouviste! – lamentei-me.
Logo a seguir, silencioso, ele encontrava-se a meu lado, tomando cuidadosamente as minhas mãos nas suas.
- Não fiques aborrecida! – pediu.
Baixou o rosto ao nível dos meus olhos, fitando-os. Fiquei envergonhada, tentei desviar o olhar.
- Sentes saudades da tua mãe – sussurrou. – Preocupas-te com ela. E, quando chove, o som faz-te ficar inquieta. Costumavas falar muito da tua casa, mas agora falas menos frequentemente. Certa vez, disseste: «É demasiado verde».
Riu-se suavemente, esperando não me ofender mais, o que eu conseguia perceber.
- Mais alguma coisa? – interroguei.
Ele sabia aonde eu queria chegar.
- Disseste o meu nome – admitiu.
Eu soltei um suspiro de derrota.
- Muitas vezes?
- O que queres dizer, ao certo, com «muitas vezes»?
- Oh, não!
Baixei a cabeça.
Ele puxou-me contra o seu peito, suavemente e com naturalidade.
- Não fiques constrangida – sussurrou-me ao ouvido. – Se eu pudesse sonhar, seria contigo. E não tenho vergonha disso. (…)”


Capítulo Catorze -‘O Domínio da Mente sobre a Matéria’
‘Crepúsculo’
Stephenie Meyer

19/12/09

Tempestade

Apetece-me extremar numa veemência azeda ou ela ou eu.
Concretizando: ou o blogue dela, ou o meu.
Fica o aviso.

18/12/09

On allure theory

Gals dig princes Chicks dig bikers

Eu só tenho é perguntas ou continua a confundir-se sexo com amor

O que é que os modernistas estão a querer insinuar ao recusarem a possibilidade de adopção aos casais homossexuais?
Que estes poderão receber o beneplácito do arejamento intelectual quanto à putativa conjugalidade e à associação civil para partilha de bens, mas que no que ao resto concerne, se devem considerar como tendencialmente pedófilos?
Entenderão realmente que um homossexual é, no fundo, um pedófilo encapotado?
Concedem a carta de alforria para o quarto, mas barram-lhe a harmonia no resto da casa?
Que almas atrofiadas sentenceiam sobre o que desconhecem, apenas porque lhes foi adestrado que ser diferente é ser ruim?
O mundo progride e os entendimentos sobre a realidade humana devem acompanhar a crescente assumpção do que se é, frontal e lealmente, sem embaraços ou escusas.
O que pode ser a família do século XXI? E o que pensar sobre as novas formas de viver em família que se vêm verificando, em que os novos são despachados para jardins-de-infância e os velhos para asilos?
E as famílias eminentemente disfuncionais, que desde sempre a velha fórmula produziu, são deveras melhores do que aquelas que um casal alternativo propõe?
Nada em toda esta temática é linear; apenas o gueto se mantém, mesmo que disfarçado sob a patine da concessão hodierna.
Os hetero são bons, os outros…, bem, são... assim-assim.
E Deus, que criou todos, onde fica o Seu incontornável desmando?

17/12/09




Lobos? São muitos.

Mas tu podes ainda

A palavra na língua



Aquietá-los.



Mortos? O mundo.

Mas podes acordá-lo

Sortilégio de vida

Na palavra escrita.



Lúcidos? São poucos.

Mas se farão milhares

Se à lucidez dos poucos

Te juntares.



Raros? Teus preclaros amigos.

E tu mesmo, raro.

Se nas coisas que digo

Acreditares.


Hilda Hilst
(Júbilo Memória Noviciado da Paixão (1974) - Poemas aos Homens do nosso Tempo - VIII)


Não.
Não.
Não.
Não.

Ainda amo.
Amarei.
Sempre.
Percorro o caminho com esse amor à roda, aos pulinhos à frente, serenamente ao lado, estiolado, atrás. Mas perene.
Luminoso e são – como foi.
Como tem de ser.
Porque é.
"Em verdade, os negócios humanos não merecem a menor consideração da nossa parte.
Todavia, somos como que obrigados a considerá-los de perto, o que não deixa de ser aborrecido. (...)
O que eu digo, é que devemos aplicar-nos seriamente ao que é sério, não ao que não for.
Por sua própria natureza, Deus é digno de todo o nosso zelo religioso, ao passo que o homem, conforme já o observamos, foi feito para servir de joguete nas mãos da divindade, no que, aliás, consiste todo o seu merecimento.
Importa, pois, ao homem conformar-se com sua sorte e entreter-se a vida inteira com belos jogos: eis como os homens e as mulheres precisam viver, em contrário, justamente, à sua actual maneira de pensar."


Platão. Leis (1980, 803bcd)

o tempo passa; tu não
mordaça

a tua mão
ausente
constante

mente
na minha boca

incêndio

o calendário e os jornais
e aqueles livros nada banais

o teu relógio e esse perfume
o meu delíquio em tanto lume

o teu carro

a minha cama

combustível

em derrama

Assaz

ROMÂNTICO

TENSO

DIVERTIDO TRISTE