07/07/11

das misérias ou uma alegoria marinha

De todas as ignomínias que comummente se toleram, a que mais que fere é a injustiça.
Saber que uma asserção é falsíssima, que os gritos na praça são de chinelo e não poder descer do salto, é uma agonia.
A mentira a coberto da fama, aplaudida com vénia e desfrutada com júbilo, estrangula-me.
Fico cega.
De dor.

Depois, o que mais me nauseia é comprazer-me com a desgraça alheia.
Sou tão absurdamente humana que claudico.
Nunca alardeei: quem mas faz, paga-mas! - mas descubro uma emoção vil, incontrolável e menor, ao saber que a justiça pode ser realmente poética...

Mesmo esfrangalhada, tenho dó de ambas. 
Ela finge que ri.
Eu disfarço o choro.

2 comentários:

Helena Sacadura Cabral disse...

Este post preocupa-me!

Helena Oneto disse...

Custa-me vê-la tão amargurada querida Maggie.