Neste Verão outonalmente primaveril às vezes sucede enroscar-me num sofá e pensar no estado do país.
É por certo da pontinha de febre, dos espirros sucessivos com base alérgica (às manhãs, às alterações súbitas de temperatura e à cretinice institucionalizada), e quedo-me por tempos considerados infindos por quem partilha o casulo e tem outras prioridades maníaco-compulsivas, como seja limpar o pó, aspirar, sacudir e arejar tudo o que esteja à vista; adiante, que estas coisas deprimem-me.
Entre escritos ligeiros no Facebook, coisinhas de somenos pelos blogues e as crónicas dos meus incensados habituais, destaca-se, como quase sempre (o homem não é infalível, graças a Deus), o Alberto Gonçalves.
Comecei a lê-lo há anos, por sugestão do João Pereira Coutinho (outro filiado do empíreo), seu amigo pessoal de há muito (ou, nas risonhas palavras do Alberto: "a coisa mais parecida com um irmão").
Às vezes é apenas bem escrito (muito bem escrito, aliás), a maior parte delas, é simplesmente formidável.
Eu bem tento não ser parcial. Juro. Mas entre a sua bonomia, o seu espírito divertido, o inexcedível amor aos animais (que o fez adoptar uma meia dúzia de cães e cadelas encontrados na rua), a forma sublime como redige até as maiores banalidades (como uma inesquecível descrição de umas singelas gambas al ajillo) e o carinho com que sempre aturou as minhas extravagâncias, tornaram-o especialíssimo.
Nem existem adjectivos que traduzam quanto.
2 comentários:
Pois não deixo de lhe gabar o gosto, porque de facto ele é francamente bom!
E um ser humano fora de série, mas não posso estragar a aura de 'mauzão' do cronista, ou, nas suas palavras, 'desgraço-o'!
LOL!
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